Oh pedaço de mim!
Já na sala de espera, tento tratar a situação com muita naturalidade. “Primeira cirurgia, é isso aí! Coisa Simples! De boa! Um cortinho pequeno! Não mais que uma hora!” Buscava me convencer da simplicidade da situação.
Me chamam. Do corredor até a sala de operação sou acompanhado de uma leve agonia. Uma sensação incômoda reforçada pela tortura que a mente vez ou outra costuma me pregar exagerando a gravidade dos fatos e remetendo a imagens futuras (funeral, enterro, boca banguela,... ....etc...ah! deixa pra lá!)
Passo primeiro por uma salinha contígua à sala de cirurgia – pra quê isso tudo? – Uma das assistentes pede para aguardar. Sai e aparece trazendo roupas brancas. “Vamos colocar essa roupas.” – sério?? Fico com um aventalzão cirúrgico branco sobre as vestes, que mais parece um macacão de louco, e coloco também toquinha; cobrindo a cabeça e os pés.
Olho para o espelho e não consigo segurar a risada. Ainda teria várias crises de riso deitado na cadeira odontológica até o doutor chegar – novinho demais esse cara não????
O clima de cirurgia começa então a tomar conta do recinto, e também de mim. Tudo é recapado, a sala é tão branca, um supra-sumo da esterilização. Uma gaze embebida em Iodo é passada em volta de minha boca, nas bochechas, pela barba da queixada, no bigode ralo, um cheiro horrível. Sobre o rosto é colocado então um capuz grosso e azul que tampa quase toda minha visão, deixando de fora a boca, o nariz, e um pequeno espaço de onde consigo enxergar pequenos flashes da situação: mãos ligeiras, pinças, bisturis, agulhas, mangueiras, sugadores, olhos, luz frontal.
Vem a anestesia, profunda: o choque do líquido penetrando o nervo.
-“É você que vai entrar comigo? ” - Pergunta o médico para uma assistente moreninha de olhos negros grandes. – “ahan!” – “Então vamos entrar!”
Começam as incisões: o médico parece cortar algo duro: a gengiva já petrificada por uma inflamação de mais de três meses.
“SUGADOR!”
Pela mão da assistente vejo a mangueirinha do sugador se tornando vermelha. Tento me apegar à trilha sonora do consultório, buscar uma válvula de escape... Pela caixinha de som sai a voz inconfundível de Fábio Jr.
Com a pinça começa a raspagem, com força. Os olhos do dentista vidrados e fixos me levam pra dentro da cirurgia.
“Uma música boa porra!”, é tudo que eu quero: começa a tocar Peter Frampton: “UH Baby I love away, everyday...”. Já é um gancho, o suficiente para me levar para a cena do filme Alta Fidelidade, com a Lisa Monet cantando essa música de um jeito único num barzim, apaixonante. Aham!.
“BROCA!”
Sou trazido de volta. O olhinho da assistente curioso dentro de minha boca. A mangueira do sugador toda vermelha. O sangue que nesses últimos dias tem me surgido constantemente: A retirada de sangue para o Orlando (no Hemocentro onde trabalhava a assistente de enfermagem que provavelmente me atendeu e que veria novamente alguns dias depois), a tatuagem rasgando a carne, a mangueirinha num vermelho quase negro. O gosto metálico na boca.
Mesmo anestesiado, sinto um choque na base da raiz, contorço os pés.
- “Calma, tá doendo?” - “Tãããããããhhhh!” – mais anestesia.
A ponta do canal que extravasou, e precisa ser retirada, parece maciça demais. Raspa-se, puxa com a pinça, sangue, o olhinho da assistente curioso, fecho os meus. “Uma música porra!”. Nada! Luz na cara: “Abre mais a boquinha”.
“LAMPARINA!”
Com a pinça aquecida calcifica-se a ponta da raiz: cheiro de peido ou futum resfriado?
“FIO!” – enfim.
Da caixinha começa- “But I Still have found, I’m looking for”, me dá vontade de rir novamente, não de felicidade!
A costura leva um tempinho. Ao todo, uma hora de cirurgia. A boca tão seca que parece rachar a qualquer toque.
O capuz azul é retirado. “Morde aqui essa gaze!”. Tento levantar:
“ESPERA QUE ELA VAI TE LIMPAR!”
Com um pano úmido, a assistente de toquinha e máscara começa a limpar lentamente o meu rosto. Seus olhinhos próximos, pretinhos, grandes, atenciosos. O pano passando pelos lábios, pelo queixo, pela barba... Fito apenas aqueles olhos, ainda meio carente e indefeso depois de ter passado pelo pior. -“Você tá bem?”- me pergunta. -“tô!” – você não imagina o que é ter tão perto olhos femininos depois da tormenta. - “Sua barba é vermelha mesmo?” - "não só a barba!”– deu até vontade de dizer, mas apenas sorri.
Começa uma musiqueta boa, que minha irmã adorava cantar quando morávamos juntos. Uma música que traz a magia POP realmente de qualidade. Não sei os autores. O refrão é mais ou menos assim: “Baby, I wanna see you. Baby I wanna feel you, (intercaladas por vozes em coro num crescente): Aleluia! Aleuia!”
Espero na sala ao lado onde a mesma menina, agora com o rosto descoberto de onde se destaca um piercing no nariz, me despe da roupa cirúrgica.
O material retirado da gengiva me é entregue para que seja analisado num laboratório. É colocado dentro de um potinho branco, com o desenho de uma caveira (sério!) e meu nome escrito em cima:
“Oh pedaço de mim!”.
Retiro a tampinha e observo o micro-feto vermelho com uma extensão que lembra mesmo um cordão umbilical.
“Oh metade afastada de mim!”.
Escrito por João Gabriel III às 23h41
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E naõ é que eu tava pensando justamente nisso:

Cortesia do : http://edeuscriouamulher.blogspot.com/
Escrito por João Gabriel III às 13h38
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Talvez a mesma merda!
De novo esse mesmo amanhecer. É sempre assim, sempre a mesma merda. De novo você, só de cueca, a foto da Monica Belucci no computador e o pau duro, de novo. Indo pra sacada. O mesmo frio no peito, o mesmo cigarro, o mesmo céu se clareando nos olhos doendo, mas ainda assim resistentes. A porra de vinil no som. Todo o dia a mesma merda. Talvez fique bêbado, talvez veja alguns amigos, que são cada dia mais raros, talvez ainda coma aquela menina que vez ou outra você topa no elevador, não, isso com certeza não vai rolar. De novo a mesma merda! Telhas desalinhadas, linhas desalinhadas, cabelos desalinhados. Um monte de compromissos inacabados. Textos por fazer, livros por ler, filmes, telefonemas, músicas... E você ali, gastando o tempo que ainda pode gastar. Ainda.
Escrito por João Gabriel III às 06h33
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Para o alto e avante!!!
Corrigindo o post passado(já devidamente apagado) o blog coletivo revista hipertexto já está no ar mas com o domínio no blogspot.
O endereço é:
www.revistahipertexto.blogspot.com
Textos iniciais já sendo devidamente postados e a expectativa de agremiar colaboradores.
Ajudem a divulgar moçada!
Escrito por João Gabriel III às 22h59
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Mais um ano
Incautos Pés no chão Salto alto
Dedinhos Mindinhos em meus lábios dormindo .................
O silêncio da grama cortada O gosto no fim do céu da boca A primeira saliva do dia O momento em que uma fruta cai
O corrimão de meu medo Gavetas esquecidas Grãos que se recusam a nascer
O filete de suor da nuca O ciúme do cão Velas que não se apagam ......................
E o mesmo solo de jazz que sempre toca em minha cabeça nem percebe quando pego no sono
Escrito por João Gabriel III às 01h50
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Andando pelo campo de batalha, como uma vaca de nariz sutil
Imagino Campos de Carvalho em seus últimos dias. Toda uma vida sem abrir qualquer concessão.
Imagino Paulo Coelho, escrevendo de seu apartamento. Com a janela(na verdade, uma parede toda de vidro) voltada para a praia de Copacabana.
Imagino Hilda Hilst, velha e ainda produzindo,sem conseguir pagar as contas de sua chácara(A Casa do SOl). Cercada da companhia dos gatos, e recebendo, no dia de sua morte, uma pequena nota de homenagem no canto dos jornais.
Campos de Carvalho já idoso, em seus últimos dias, no fim. Ainda sem permitir qualquer concessão. "Chega dessas besteiras de escrever livros!" O imagino em uma de suas últimas entrevistas, para uma repórter da Folha, relutante no começo, desconfiado, ranzinza, mas abrindo a guarda no final, perguntando se a garota alguma outra vez poderia o visitar novamente. Não era comum receber visitas. Penso no dia de sua morte. Em seu enterro. Não havia pessoas suficientes para carregar o caixão. Apenas a mulher e um ou dois amigos.
Certa vez encontrei um cara no bosque da UFG com um dos livros do Campos de Carvalho sob os braços. Foi a única pessoa que eu já conheci, pessolmente, que sabia da existência de Campos de Carvalho. Peguei o livro e disse: "Pô, você conhece o cara?" Ele também ficou meio espantado. Parece que nunca tinha conhecido alguém que também o lesse. Isso criou um elo. Como se fôssemos da mesma religião, ou carregássemos a mesma doença, o mesmo vício. Não conversamos muito naquele dia, mas até hoje, vez ou outra, quando nos encontramos, acenamos a com cabeça num cumprimento respeitoso.
Escrito por João Gabriel III às 16h07
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Poema sem face
Meu olho já envenenado; Sinto muito! Deixe seus beijos No guardanapo.
O lodo na metade da parede. Noite Chuvosa, Frio quente
Com a luz acesa O menino não vê O silêncio escondido
Vento nos cabelos. Descida. * * * * Noite adentro.
Acordar na cama em que a Lua amanhece o dia Ao seu lado
"A esperada visita inesperada"
A incerteza é dolorida por que já é um tipo de certeza
Enganando o capeta que se finge enganar para ser o enganador. Mentindo para Deus que finge acreditar para ser o perdoador.
Novato, Novato, sei de nome de Deus que tudo que fez, tudo é...
Escrito por João Gabriel III às 23h45
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Nesse tempo de chuva, tenho vontade de beber seus olhos.
Escrito por João Gabriel III às 17h09
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"Escute Tommy a luz de velas e você verá o seu futuro!" William Miller recebendo a professia da irmã no filme Quase Famosos
Pois digo que também ouvi, e também vi (o meu no caso!). E não sei se foi Tommy que me revelou o futuro no jornalismo - na verdade, não quero jogar o peso da culpa no Tommy. Mas foi na época de audição constante de Tommy que tomei a decisão mais importante de minha vida: largar o curso de Direito no sétimo período, voltar novamente para o cursinho e prestar para jornal.
Se você não sabe até agora o que é Tommy, me refiro ao CD lançado em 1968 pela Banda The Who, a qual considero uma das três mas importante bandas de todos os tempos.
Se você não sabe o que é The Who, você não sabe o que é Rock n' Roll. Digo em sua totalidade. Em sua máxima expressão. Simples assim.

Você pode até ter uma grande noção e até estar bem próximo de saber o que é Rock n' Roll, mas sem conhecer ao menos "Tommy", "Who's Next" e "Quadrophenia", seria o mesmo que dizer que você é um conhecedor de Punk sem nunca ter ouvido Ramones.
Muitos se ofendem quando digo isso e acham que se trata de uma pretenção do tipo: "eu sei e você não sabe"; mas não é isso! Na verdade, nada me deixa mais feliz do que encontrar alguém que conheça realmente a banda e todo seu significado.
Bloguificando as coisas:
Tommy foi a primeira ópera-rock feito por uma banda. Ópera-Rock não tem nada a ver com música clássica ou canto lírico. O lance de se definir como tal é pelo fato de todo o CD retratar uma única estória que passa a ser contada de acordo com as músicas. Uma espécie de ficção musical. No caso de Tommy, o CD retrata a vida de um garoto que em decorrência de um trauma de infância(*) acaba se tornando CEGO, SURDO e MUDO. O Cd mostra várias fases de sua vida. Seu crescimento, como o garoto conseguiu adquirir uma sensibilidade especial e até mesmo fundar uma seita de seguidores.....
Este CD virou um filme musical estrelado por atores, músicos convidados (Eric Clapton, Tina Tuner e Elthon John) e pelos próprios integrantes do The Who.
Noves fora:
Mas o que eu queria dizer realmente neste post é que tudo isso não existiria sem a mente de um único cara: Pete Townshend. É de sua cabeça que saíram quase que a totalidade das canções e letras do The Who, além das duas óperas-rock feitas pela banda: além de Tommy, o Cd Quadrophenia conta a estória de um garoto que apresenta o grau mais agudo da esquizofrenia = quatro personalidades(também virou filme)
E não é que no universo da Blogosfera me deparo com Mr. Townshend, já sexuagenário, desenvolvendo o seu próprio blog: http://boywhoheardmusic.blogspot.com.
Me emocionou esse tipo de proximidade. Grande parte de pessoas que considero como ídolos, e não são muitos, já bateram as botas. E tipo assim, basta um comment, que por mais idiota que seja, mas será o Seu comment que estará lá, sendo lido pelo Towshend, que ao menos por alguns segundos, estará em contato contigo.
"I don't need to fight To prove I'm right"
(*)O porquê do Trauma de Tommy: (Sua mãe se envolve com o seu tio charmoso ao pensar que o marido - pai de Tommy - que tinha ido para a guerra e não dava notícias, estava morto. Eis que o marido aparece pegando no flagra a mulher com o Tio. No desespero, a Mãe e o Tio acabam matando o Marido. Tommy presenciou o homicídio)
Escrito por João Gabriel III às 22h04
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Mais uns blogues linkados aê ao lado. Lolinha, a.k.a. Nena, expondo suas lorotas e o Rodrigo, a.k.a. Rodrigo, fazendo o que sabe de melhor: Filosofia POP (hehehe!!!!)
Escrito por João Gabriel III às 23h52
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Saia de mim...
Finalmente ando tomando umas verminoses:
Acho que agora vai!!!!!!
Escrito por João Gabriel III às 23h49
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"Tem que saber chegar por todas as quebradas"
Se veres uma chamada do programa Radar do clipe de uma banda de RAP chamada "CL Aparecida" terás a obrigação de assistir. Digo isto para seu bem que poderá acompanhar o trabalho primoroso de como ser figurante num clipe amador.
Acho que deve ir ao ar daqui a duas ou três semanas.
No clipe, os quatro rapers passarão por momentos de performances, dentre outros lugares, num dos ônibus do Eixo Anhanguera. Ressalto a atenção para o passageiro sentado no banco de trás de um dos rappers que, enquanto este versa gemas rococós, mantém o figurante uma visão distante ao horizonte, com certo ar blasê e, vez ou outra, coçando marotamente a barba ruiva. - Sem chamar demais a atenção.Sem passar despercebido-
Escrito por João Gabriel III às 18h01
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Quarta feira foi mais ou menos assim...

...numa cachoeira de Pirenópolis que agora não me lembro o nome mas que, com certeza, não é a da Sandy.
Vai um agradecimento ao Gerinha que enviou a foto e que vez ou outra sai lá de João Pessoa e aparece por aqui. Trouxe ainda um comparsa figura: "Jorge-fala-mansa" Muito gente boa esses paraíba!
Já tá feito a promessa da caminhada inversa.
Quanto ao fim de noite.. Bem!! Acho que demais palavras apenas restringiriam o esplendor dos acontecimentos.
Sem correr o perigo da deturpação da ópera, me coloco na simplicidade de reproduzir o singelo estandarte de orgulho:

Sou tricolor de coração Sou do clube tantas vezes campeão Fascina pela sua disciplina O Fluminense me domina Eu tenho amor ao tricolor
Salve o querido pavilhão Das três cores que traduzem tradição A paz, a esperança e o vigor Unido e forte pelo esporte Eu sou é tricolor
Vence o Fluminense Com o verde da esperança Pois quem espera sempre alcança Clube que orgulha o Brasil Retumbante de glórias E vitórias mil
Vence o Fluminense Com o sangue do encarnado Com amor e com vigor Faz a torcida querida Vibrar de emoção o tri-campeão
Vence o Fluminense Usando a fidalguia Branco é paz e harmonia Brilha com o sol Da manhã Qual luz de um refletor Salve o Tricolor
Escrito por João Gabriel III às 01h28
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Poderia ser Clint!!
Novamente andando debaixo de chuva, à noite. Gosto disso.
Goiânia é uma cidade que presisa de chuva mas que simplesmente não pode chover. A chuva parece embotar a mente dos goianos impossibilitando qualquer raciocícnio lógico: basta observar o trânsito.
Voltando no Eixo Anhanguera, pego a chuva no meio do caminho. As plataformas se abarrotam. Dentro dos ônibus a agonia é ainda maior. Ninguém entra ninguém sai, fecham-se todas as janelas e o mesmo ar é respirado mil vezes, fica tão pesado que parece poder segurar com a mão.
Merda! Com tanta gente atolada na porta não consigo descer na plataforma da rua vinte, vai todo mundo pro terminal, onde o azar passa a ser de quem tenta continuar dentro do ônibus.
A partir de então, conto com a milenar arte de pegar ônibus errados:
Vejo o cruzeiro 020 passando e me vem na cabeça uma vaga recordaçãode vê-lo passar perto de casa. Antes de entrar ainda dou uma confirmada com uma senhora que também embarcava, que me assegurou: este passa sim na praça cívica.
Cerca de dez minutos depois foi o tempo suficiente para perceber a roubada. Procuro entre os passageiros a solícita senhora que me aconselhou. Nada. A tia parece que já tinha descido. Entre os demais passageiros, noto uma estatística que já observo a pelo menos um ano: A maioria das senhoras que andam nos coletivos em Goiânia são evangélicas. Para cada árvore caída, cada relâmpago, ou mesmo aumento na intensidade da chuva é motivo suficiente para pronunciar um "MISERICÓRDIA!!!" !!! Com o ônibus tomando direcionamento cada vez mais distante do Centro resolvo descer no próximo ponto, ali, de frente ao CEPAL. Não seria a primeira vez que iria a pé de lá até em casa. E com a chuvinha mais aliviada, até melhor. Já falei né: gosto pra caralho de andar na chuva!
Aproveito e compro uma cerva no posto e desço bebendo e admirando as calçadas. Cada desenho. Cada retalho que reflete de forma diferente com a chuva e a luz amarela dos postes. As formas se alternando a medida que você caminha, entre poças, o olhar pelos óculos meio embaçado, o pensamento rápido numa voz que parece não ser a minha, numa voz que não é a minha, numa voz que gostaria de ter... As luzes dos postes deveriam ser todas amarelas.
Escrito por João Gabriel III às 10h14
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PACIÊNCIA... . . . . . . . . .
Este blog ainda não morreu!!!!
Na verdade, está entrando em uma nova fase. Tudo depende apenas de algumas decisões que estão sendo tomadas, neste momento, na chefia do órgão ao qual presto meus serviços>
Mas já está determinado!!
Estamos entrando novamente no:
ÓCIO CRIATIVO!!!!!!
Escrito por João Gabriel III às 14h48
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